O acordo americano, um ‘blockbuster’ digno de Hollywood.

Alexandre E. Santo
03/08/2011

Parecia o filme “Missão Impossível”: a “Bloomberg TV” estampou na tela de todos os
seus programas um cronômetro, em contagem regressiva, para o acordo que elevaria o
teto da dívida americana, evitando o calote dos Estados Unidos. Só faltou aparecer o
Tom Cruise para desligar a bomba relógio…
Em seguida ao acerto bipartidário, o famoso economista Paul Krugman escreve artigo
criticando Obama e afirma que o acordo “empurrará o país para o padrão República de
Bananas”. Outros editoriais também fazem referência ao presidente americano como um
perdedor no episódio.
Ainda na linha hollywoodiana, penso que esses analistas entendam que Obama é
Anakin Skywalker e cedeu ao lado negro da força (Tea Party). Com todo respeito ao
prêmio Nobel de economia e aos demais analistas, peço vênia para discordar; Obama
não é Darth Vader!
Meus alunos – e os que me leem neste espaço – sabem que, desde 2006, critico o modo
de vida dos americanos. Várias vezes alertei que a combinação de juros baixos, bolhas
nos preços de ações e imóveis e endividamento excessivo levaria ao estado de coisas
atual. Mas, se é para encontrar culpados, Obama é réu primário.
Em minha visão, grande parte dessa situação americana tem origem no 11 de setembro
de 2001. Diante daquela catástrofe, o Fed, o banco central americano, derrubou os juros
e W. Bush partiu para uma política fiscal expansiva poucas vezes vista na história.
Aí começam efetivamente os problemas (a dupla Bush – Alan Greenspan), que
culminam na crise de 2008, das subprimes. Cabe lembrar que as agências de rating
davam aval aos CDOs e SIVs, responsáveis pela disseminação do risco, e têm sua
parcela de culpa.
É preciso entender, definitivamente, que o mundo mudou. A supremacia americana foi
contestada sob todas as óticas e os emergentes ganharam relevo na nova ordem mundial.
Todavia, os EUA não perderão o status de potência econômica e militar. Ainda possuem
o maior mercado consumidor do mundo e assim permanecerão por muito tempo. Sua
economia é ágil e produtiva e emitem a moeda reserva; enganam-se os que creem que
haverá uma débâcle americana irreversível.
Até as paredes da Nyse sabem que o acordo costurado traz um ônus: a recuperação
efetiva não virá tão cedo. A taxa de desemprego continuará elevada e as empresas terão
resultados menos interessantes, o que é ruim para a bolsa. Todavia, diferentemente do
que eu acreditava até poucas semanas, penso que o Fed irá promover com um novo
“QE3″, o que pode colaborar para uma recuperação do mercado acionário. Mas existe
outro ponto…
Na volta às aulas, um aluno me perguntou o que ocorrerá se os EUA perderem seu
AAA. Em minha visão, mesmo que as agências de rating cortem a nota para AA, ainda
assim acredito que a China, o Japão, o Brasil e tantos outros países endinheirados não
terão outra opção para alocar suas reservas, a não ser continuar comprados em
“treasuries”. Fariam o quê? Comprariam tudo em ouro, NTN-B e franco suíço?
Ademais, já compram, atualmente, com juro quase zero. Se houvesse um aumento na
percepção de risco, os preços dos títulos cairiam no curto prazo – juros sobem -, o que,
no médio prazo, atrairia novos compradores.
As bolsas no mundo inteiro respondem com mau humor a esses episódios, refletindo
temores de recuperação em U ou W, como, aliás, salientei várias vezes que era o mais
provável.
O fato é que nosso Ibovespa negocia com P/L 8,5 vezes e, num universo de 220 ações
que selecionei no banco de dados da Economática, quase 25% estão com preços
inferiores ao valor patrimonial, o que é incomum.
São dias difíceis os que vivemos e os investimentos, cada vez mais, precisam
vislumbrar o longo prazo. É de difícil compreensão que a bolsa brasileira esteja
negociando a preços de antes do “investment grade”, enquanto índices de outros países,
em situações menos vantajosas, apresentam quedas menores. Mais à frente ficará claro
que estava descontada em excesso. É preciso sangue-frio, por enquanto.
Por fim, o certo é que os efeitos sobre o lado real de um “default” americano poderiam
ser imprevisíveis. O acordo era necessário! Não haveria Luke Skywalker para combater
esse mal maior…
Alexandre Espirito Santo é economista da Way Investimentos, chefe de Finanças
da ESPM-RJ e professor do IBMEC-RJ
E-mail: aesanto@wayinvestimentos.com.br

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Aonde vai parar o bonde sem freios da Bovespa?

Existe, em finanças, um teorema muito importante: a “lei do preço único”. Segundo
Robert Merton, um dos mais importantes financistas do mundo, “em um mercado
competitivo, se dois ativos são equivalentes, eles tendem a ter o mesmo preço de
mercado”.
Esse fato deriva do que chamamos de arbitragem. De forma simples, quando há
diferença de preços, compra-se onde está mais barato e vende-se onde está mais caro,
para ganhar com a diferença (excluindo-se os custos de transação).
Nestes quase vinte e cinco anos de atuação como profissional de mercado financeiro,
aprendi que preço e risco formam uma dupla inseparável. Não adianta somente avaliar
se o ativo está barato ou caro, é preciso balancear isso com os riscos de assumir a
posição comprada ou vendida. Por exemplo, uma ação pode estar muito barata ou muito
cara, mas, como já mencionei em artigo anterior, se o timing não for o adequado você
pode perder, pois as incertezas, ainda consideráveis, depreciarão mais o ativo, ou o
“oba-oba” da euforia levará os preços para cima por mais tempo.
No final de 2006 avaliei que o balanço de risco e retorno para o Ibovespa seria
desfavorável no médio prazo, apesar dos IPOs em profusão. Como tinha em mente que
se avizinhava um cenário ruim para a economia global, concluí que manter o dinheiro
no CDI era a melhor opção e ficar f ora da bolsa seria o mais recomendado. Como digo
aos meus alunos: o CDI é “ir para a praia” e olhar o extrato no fim do mês, com ganho
certo. A bolsa é acompanhar todos os dias e, no fim do mês, olhar um extrato incerto.
É evidente que a crise de 2008 foi muita mais violenta do que havia imaginado. De
qualquer forma, o quadro mostra que minha avaliação, nesse período, foi correta.
É claro que quem vive o mercado todos os dias pode ter embolsado os extraordinários
ganhos com os IPOs de 2007 ou mesmo a estupenda alta de 2009. Porém, a maioria das
pessoas não acompanha o mercado de forma sistemática.
Nesse momento, contudo, avalio que o ambiente possa estar se alterando e os riscos
compensem assumir posições mais otimistas. Como os mercados tendem a antecipar os
eventos, muitas notícias ruins já foram incorporadas nos preços das ações. Senão,
vejamos:
Quadro externo: O espectro da deflação parece afastado. Pelo contrário, já há sinais
claros de inflação. Mesmo que a economia global ainda leve algum tempo para se
recuperar plenamente, não mais percebo riscos visíveis de recaída. A China vai
desacelerar, mas mesmo assim continuará com a economia firme. Todos estimam que
EUA devem continuar com um crescimento morno até 2012, porém sua política
monetária deverá voltar à normalidade. Da Europa não se pode esperar muito e ainda
existem casos difíceis, como Grécia e Portugal. O risco do euro ruir persiste, mas a UE
está atuando para evitar quebradeira.
Quadro doméstico: Inflação é o principal problema. Entretanto, parece que o BC “caiu
na real” e se deu conta que a Selic é “O” instrumento de política anti-inflacionária. Pelo
que se depreende da última ata, o Copom deverá promover mais três ou quatro
aumentos de 25 pontos. Assim sendo, o IPCA deverá convergir para perto do centro da
meta ano que vem, mesmo por que o país crescerá menos. O Focus já sinaliza essa
expectativa. Outra preocupação é o crédito em elevação excessiva, mas que pode (e
deve) ser administrado.
Diante dos fatos já precificados, vejamos os múltiplos: O P/L de 2009 da bolsa
brasileira era 17 vezes. Atualmente, está em torno de 10 vezes. Há um consenso entre
analistas que os P/Ls e EVs/Ebtida de grandes empresas, como Petrobras e Vale, estão
muito convidativos.
Se meu cenário prevalecer (e o timing for o adequado) creio haver chances de termos
um segundo semestre positivo para a Bovespa. Pela lei do preço único, penso em
arbitragens entre ações brasileiras e estrangeiras. Podemos estar diante de uma
oportunidade de posicionamento (seletivo e gradual), vislumbrando um horizonte de
dois anos ou três anos.
Alexandre Espirito Santo é economista da Way Investimentos, chefe de finanças da
ESPM-RJ e professor do IBMEC-RJ
E-mail: aesanto@wayinvestimentos.com.br

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Tudo é uma questão de preço, inclusive na bolsa

Com o Índice Bovespa caindo 7,05% no ano e patinando na casa dos 64 mil pontos, o
que mais se encontra no mercado são pessoas com percepções bastante negativas. No
entanto, aos poucos surgem aqueles que acreditam que tudo é uma questão de preço e,
nos níveis atuais, a bolsa se mostra como uma boa oportunidade de investimento.
O economista-chefe da Way Investimentos e professor de finanças da ESPM-RJ e do
Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, está nesse grupo. Nos últimos três anos, ele,
juntamente com outros poucos profissionais, estiveram na ponta mais pessimista.
Agora, Espírito Santo acredita que o mercado ficou barato demais, mesmo com todos os
riscos macroeconômicos que ainda existem. Os mais variados indicadores mostram
como as ações estariam abaixo de seus níveis históricos.
Ações já refletem os riscos e têm mais chances de subir
O preço sobre lucro (P/L, que dá uma ideia de quanto tempo demora para o investidor
ter de volta o quanto aplicou) do Ibovespa projetado para este ano, por exemplo, está em
torno de 10 vezes, sendo que nos últimos anos a média ficou entre 15 e 17 vezes, lembra
o professor.
O mesmo acontece com importantes empresas da bolsa. O P/L da Petrobras está por
volta de 9 vezes e o da Vale, 5 vezes, números bastante baixos tanto para uma quanto
para outra.
Mas o que dizer do temor do mercado do governo não conseguir conter a inflação com o
mix de aperto monetário e medidas macroprudenciais? Há ainda a percepção de
analistas e investidores do alto nível de ingerência governamental exatamente em
grandes companhias como Petrobras e Vale. Será que todas essas pedras no sapato do
mercado já estão embutidas nos preços dos ativos?
Se a resposta for não, isso significa que as ações estão baratas, mas poderão ficar ainda
mais. Para Espírito Santo, no entanto, os riscos micro e macroeconômicos são grandes,
mas parecem já estar integralmente refletido no pregão. “A bolsa não está ruim há tanto
tempo à toa, ela já incorpora a onda de notícias negativas”, diz o professor. Nada
impede que o mercado caia mais, mas para isso precisam surgir novos fatos que
provoquem uma onda de venda por parte dos investidores.
A análise técnica mostra que o mercado está num momento decisivo. O Ibovespa fechou
a sexta-feira aos 64.417 pontos, em cima da média móvel de dois anos, em 64 mil
pontos. Pelos cálculos de Espírito Santo, é a primeira vez desde julho de 2009 que o
indicador encosta nessa média móvel. “Se o mercado respeitar esse nível, como tem
feito desde meados de 2009, pode ser o começo de uma recuperação”, diz o professor.
“Se ocorrer o contrário e o índice cair abaixo dessa média, a situação da bolsa deve ficar
ainda pior.”
O professor lembra ainda que, deflacionando o Ibovespa atual pelo CDI, o indicador
volta para a casa dos 53.700 pontos em que estava no fim de julho de 2009. Ou seja, em
termos reais, isso é o mesmo que dizer que a bolsa ficou exatamente no mesmo lugar
nos últimos dois anos.

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Novas teorias de finanças que buscam decifrar os mercados

Alexandre E. Santo

06/04/2011

Quando comecei a trabalhar no mercado, em meados dos anos 1980, havia uma carinhosa história sobre a fama de desconfiado dos mineiros.

Rezava a lenda que, na bolsa de Minas Gerais, quando um investidor apregoava acompra de uma ação, um outro, com pé atrás, pensava: Uai, se ele quer comprar por que eu vou vender? Se outro apregoasse a venda, o raciocínio seria: Uai, se ele quer vender por que eu vou comprar? Brincadeiras à parte, é o que sempre digo aos meus alunos:

“Sem opiniões contrárias não existe negócio em bolsa”.

A teoria das finanças evoluiu ao longo do século XX e encontrou em Eugene Fama um dos seus expoentes, ao desenvolver as bases da hipótese dos mercados eficientes. Em tese, um mercado é eficiente quando os investidores “operam” de forma racional, considerando o risco e buscando maximizar seus retornos. Além disso, os preços correntes incorporam todas as informações disponíveis no mercado, que são acessíveis a todos. Portanto, esses tendem a se equilibrar até que novas informações ocorram e venham a afetar os agentes econômicos.

Em meados de 2005, passei a considerar fortemente a possibilidade de uma ruptura no mercado imobiliário americano, o que poderia gerar uma crise de confiança e afetar as bolsas de valores negativamente. Com receio do que pudesse vir a ocorrer, adicionado ao estigma que muitos me imputam de ser um “pessimista de carteirinha”, procurei estudar teses que pudessem justificar comportamentos de “manada” dos mercados, sobretudo para os momentos de pânico, quando a hipótese de Fama pouco funcionaria. Foi quando descobri a teoria das finanças fractais.

De forma resumida, essa teoria contrapõe-se à hipótese de mercado eficiente, ao advogar a tese de que os preços e a experiência passada influem de forma decisiva o comportamento do investidor hoje, exercendo influência também sobre as expectativas futuras.

Outro ponto importante a se ressaltar diz respeito ao horizonte temporal do investidor, o que influencia na liquidez. Alguns “operam” com viés de curtíssimo prazo, outros a médio prazo, enquanto os institucionais objetivam mais o longo prazo (cada qual com um interesse distinto). Assim sendo, não teremos necessariamente os preços negociando aos seus valores justos, sem contar que a liquidez, nos momentos de crise sistêmica, “seca”, derrubando os preços de forma dramática.

Sob essa ótica não seria errôneo considerar que a análise gráfica incorpora conceitos dos fractais. Ao tentar antecipar os movimentos de alta ou baixa das cotações, o analista gráfico avalia comportamentos passados (inclusive sob aspectos psicológicos) que tendem a se replicar, através de linhas de tendências, suportes, resistências, que “desenham” figuras geométricas, como triângulos, retângulos, cunhas, ombro-cabeçaombro e tantas mais. Muitos investidores, sobretudo os mais jovens, vêm investindo em cursos de análise técnica para aumentar sua eficiência no mercado.

Também em relação à análise fundamentalista podemos encontrar aderência a essa discussão, à medida que o cálculo do ‘valuation’ de uma empresa se faz com uso de uma metodologia de projeção de fluxos de caixa futuros, descontados a uma taxa de juros (o custo médio de capital da empresa) que se forma pelo uso do modelo de precificação de ativos CAPM (estimativa do custo do capital próprio), de William Sharpe, um dos precursores da teoria moderna das finanças.

Com a crise de 2008, muitos acadêmicos intensificaram seus estudos para justificar comportamentos de ativos. Semana passada, fui à Apimec do RJ para o lançamento do livro “Finanças e Mercado de Capitais. Mercados fractais: a nova fronteira das finanças”, Cengace Learning, organizado pelo professor Carlos José Guimarães Covas e sua equipe de pesquisadores. Uma ótima sugestão para os interessados no tema.

Por fim, como sou de uma família de mineiros, sugiro que os investidores sempre procurem tomar cuidado, pois o mercado está longe de ser eficiente, visto que boa parte das informações é comprovadamente assimétrica.

 

Alexandre Espírito Santo é economista da Way Investimentos, chefe de Finanças da ESPM-RJ e professor do Ibmec-RJ.

E-mail aesanto@wayinvestimentos.com.br

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Tsunami do Nilo ou do Japão: qual é pior para a economia?

Alexandre E. Santo

17/03/2011

Quando o assunto é investimento, a grande maioria dos profissionais do mercado sugere que aplicar em ações deve contemplar um horizonte de longo prazo. Não podemos deixar de lembrar que uma das questões mais importantes a serem consideradas é a relação entre risco e retorno, que, por muitas vezes, está associada ao tempo da aplicação. Investimentos mais longos tendem a ter seu risco diluído, contrastando com aqueles mais especulativos, onde oscilações maiores são mais comuns.

O fato é que, no curto prazo, o comportamento dos mercados é muitíssimo influenciado por eventos sistêmicos, que perpassam desde questões econômicas até intempéries de toda a sorte, como é o caso, agora, dessas “revoluções” no mundo Árabe e da catástrofe japonesa.

Como é notório, ao comprar ações, um investidor está em busca de um prêmio que compense a assunção de um risco mais elevado. Em situações mais complexas, as volatilidades excessivas fazem o risco aumentar de forma dramática, afugentando aqueles que não possuem sangue-frio para atravessar a tempestade. Ao ver a queda das cotações dilapidando seu patrimônio, o investidor realiza o prejuízo, pois, como disse um aluno certa vez – ao ver as cotações de suas ações desabarem -, “a parte mais sensível do corpo é o bolso”!

O objetivo desse artigo é exercitar a futurologia, buscando antever como será a economia mundial, diante de toda essa procela na região do Nilo, além do impacto do cataclismo no Japão sobre a economia global.

As crises no Egito, Tunísia e Líbia são preocupantes e não parecem caminhar para um bom fim. Ainda creio, contudo, que os EUA e a comunidade internacional não pouparão esforços para jogar água na fervura, mesmo que, para isso, acenem com opção militar. É evidente que o preço do barril de petróleo, em forte escalada nas últimas semanas, incomoda, já que poderá interromper a recuperação da economia americana e global, justo no momento em que tentam sair de forma mais consistente da crise de 2008.

Todavia, avalio que essas rebeliões “por liberdade” poderão não ser totalmente ruins.

Por quê?

Há trinta anos, não era plausível imaginarmos a China ocupando o papel de segunda maior economia do planeta, desbancando japoneses e europeus. Também era impensável ensejar Brasil e Índia tornando-se potências, com o peso que têm hoje. Esse novo quadro, que ocorreu nas últimas décadas, incluiu bilhões de pessoas no mercado consumidor, depois que as “ditaduras econômicas” caíram com a globalização. É significativo ressaltar que o aumento de consumo não se deu somente nos alimentos, mas também em bens e serviços, espraiando o bem estar. As mudanças de paradigmas (e as redes sociais) transformaram o mundo.

Fazendo uma proxy para o futuro, como mais de 25% da população mundial ainda vivem sob regimes autoritários, se o desenlace desse imbróglio atual desenhar um novo arranjo político e social, mais democrático, as “revoluções” em curso tenderão a reverberar em outras regiões. Sendo assim, em 10 ou 20 anos, haverá espaço para a inserção de bilhões de novos consumidores, o que alavancará ainda mais a economia global, estimulando empresas a investirem, o que acaba por favorecer aplicações em ações.

É certo, contudo, que a contrapartida dessa nova alavancagem será o surgimento de uma série de problemas, que precisarão ser administrados com cuidado; dentre eles: inflação mais elevada, pois os preços dos alimentos deverão subir ainda mais; maior degradação ambiental; o mercado de trabalho não conseguirá absorver a mão de obra disponível etc… Ou seja, se o cenário que tenho em mente prevalecer, o mundo precisará se preparar para uma segunda “pernada” da globalização, que, assim como a primeira, trará benefícios, mas também enormes desafios e novas crises.

Por outro lado, o terremoto no Japão aumenta as chances de uma recaída global (o temível “W”). Outrossim, caso o risco nuclear determine que as usinas atômicas precisem ficar inoperantes por muito tempo, a alternativa viável para os japoneses será o uso de mais petróleo, o que, junto a essa onda revolucionária (que vem contaminando países do Oriente Médio), pode catapultar os preços para faixa entre U$ 150/200 o barril, empurrando a recuperação para o abismo.

Alexandre Espírito Santo é economista da WAY Investimentos, chefe de Finanças da ESPM-RJ e professor do IBMEC-RJ

E-mail aesanto@wayinvestimentos. com.br

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É o Brasil que está caro ou os EUA, baratos?

A história de que, para compensar um risco maior, as bolsas de países emergentes devem oferecer retornos melhores que os mercados desenvolvidos tem se mostrado uma meia verdade nos últimos tempos. Desde o segundo semestre do ano passado, a bolsa americana vem mostrando um desempenho consistentemente superior à bolsa brasileira e da maioria dos demais emergentes.

Um estudo feito pelo economista da Way Investimentos e professor de finanças da ESPM-RJ e do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, mostra que os indicadores das empresas brasileiras estão bem próximos dos das americanas. Essa proximidade pode explicar o desempenho inferior da Bovespa e a fuga dos investidores estrangeiros.

O professor fez um estudo sobre os múltiplos da bolsa do Brasil desde 2001, de outros países emergentes, como México e Chile, e da americana. No caso da Bovespa, Espírito Santo considerou empresas com valor de mercado superior a R$ 1 bilhão e que tivessem preço sobre lucro (P/L, indicador que dá uma ideia de quantos anos demoram para o investidor ter de volta o quanto aplicou) entre 0 e 50 vezes.

Usando os resultados das empresas do terceiro trimestre do ano passado, o P/L do mercado brasileiro está em 17,5 vezes, perto do P/L de 2007 (antes da crise americana eclodir)de 17,3 vezes; é o maior desde 2001, início do levantamento.

No caso da Bolsa de Nova York, o professor considerou as companhias com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão e P/L entre 0 e 70 vezes. Nesse espectro, o P/L é de 19 vezes, também bem próximo do P/L do México, de 19,5 vezes, e do Chile, de 16,5 vezes.

Para Espírito Santo, o indicador das bolsas emergentes tão parecido com o dos Estados Unidos em boa parte explica a migração do investidor estrangeiro para os mercados desenvolvidos e, consequentemente, a valorização dessas bolsas, em detrimento da queda dos mercados emergentes.

“Não sei se é o Brasil que está caro ou os EUA que estão baratos, o fato é que essa proximidade entre os indicadores revela uma distorção que, mais dia menos dia, voltará ao normal”, diz Espírito Santo.

Proximidade entre indicadores dos dois países é distorção 

Historicamente, o P/L das ações brasileiras varia entre 13 e 14 vezes, enquanto dos papéis americanos gira em torno de 20 vezes. Para que essa distância entre EUA e Brasil volte ao normal, as ações brasileiras precisam cair, ou as americanas subir ou até as duas coisas ao mesmo tempo.

O palpite do professor Espírito Santo é que os dois movimentos ocorram nos próximos dois anos e o cenário macroeconômico dos dois países corrobora a tese.

A economia americana se encontra em plena recuperação e, por enquanto, sem sinais de inflação. Já o Brasil passa por um repique inflacionário que ainda não se sabe se será totalmente domado com as decisões que já foram tomadas pelo governo, como alta de juros.

Para o economista, o desempenho superior atual do mercado americano pode ser considerado um “decoupling reverso”, ou seja, um descolamento a favor dos EUA.

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A revanche dos fundos DI

Espírito Santo, economista da Way Investimentos: Banco Central terá que elevar a Selic até pelo menos 13% ao ano

O ciclo de alta dos juros básicos da economia (Selic), iniciado no mês passado pelo Banco Central (BC), reavivou a tradicional disputa entre a caderneta de poupança e os fundos de investimento pelo bolso do investidor. Depois de viverem na berlinda em 2009, com a queda da taxa Selic para um dígito, e amargarem ganhos tímidos em 2010, os fundos referenciados DI podem ir à forra este ano.

Com a Selic em 12,50% ao ano, como prevê o boletim Focus – levantamento do BC com a expectativa de mais de cem instituições financeiras -, os fundos DI com taxa de administração de até 2% teriam rentabilidade líquida (já descontado o Imposto de Renda) de 8% em um ano, acima, portanto, da poupança, de 7,06%. Quanto mais alta a Selic, maiores os ganhos dos fundos DI, cuja rentabilidade reflete a variação do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) – que, por sua vez, segue de perto a taxa Selic. Se a previsão do boletim Focus se confirmar, os juros subirão mais 1,25 ponto percentual, já que a taxa hoje é de 11,25% ao ano.

Há quem aposte, contudo, que a Selic terá que subir ainda mais para que o dragão da inflação seja domado. É o caso de Alexandre Espírito Santo, chefe de Finanças da ESPM-RJ e economista da Way Investimentos, que aposta em elevação da taxa até 13%. “E se o governo não promover um corte de gastos severo, a Selic terá que subir ainda mais para que a inflação não encoste no teto da meta, de 6,5%”, diz Espírito Santo. “Caso o BC cumpra seu mandato e busque o centro da meta (de 4,5%), os fundos DI serão a melhor alternativa conservadora de investimento “, acrescenta.

Antes de tirar o dinheiro da poupança e aplicar em um fundo DI, contudo, o investidor tem que fazer algumas contas, ressalta o economista da Way. Nesses fundos, diferentemente da poupança, há cobrança de taxa de administração e de Imposto de Renda (IR) sobre os ganhos. Com taxa Selic de 12,50%, os fundos DI baterão a caderneta para aplicações com prazo mínimo de seis meses e taxa de administração de até 2% ao ano. Caso contrário, é melhor deixar os recursos na poupança.

Isso significa que os grandes bancos de varejo terão que baixar as taxas de administração caso queiram fisgar o pequeno aplicador. Um levantamento realizado pelo Valor mostra que, entre seis instituições (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC, Banco do Brasil e Caixa), apenas carteiras com aplicação mínima de R$ 1 mil têm taxa inferior a 2,5%.

Para uma aplicação inicial de R$ 100, somente a Caixa Econômica Federal tem uma taxa que torna o DI competitivo com a poupança (2% ao ano). Na outra ponta, figura o fundo do Santander Classic Referenciado DI, com taxa de administração de 5%. No Banco do Brasil, o fundo com menor aplicação mínima (R$ 200) cobra 3% ao ano. No HSBC, um fundo com aporte inicial de R$ 500 tem taxa de administração de 2,50%. “Mesmo com a alta da Selic, a taxa de administração continua sendo crucial para a rentabilidade dos DIs”, diz Bruno Lembi, sócio da empresa de aconselhamento financeiro M2 Investimentos.

Espírito Santo, da Way Investimentos, ressalta que o cálculo dos ganhos dos DIs deve levar em conta também a taxa média da Selic. Confirmada a previsão do Focus, essa taxa média será de 12,22%. Se os juros forem elevado para 13%, como prevê o economista, a Selic média ainda será um pouco maior. Em todo caso, diz Espírito Santo, o ideal é que o investidor vá para o DI apenas se tiver recursos para aplicar em fundos com até taxa de 2% e com um prazo mínimo de seis meses. “Quem não tem dinheiro para conseguir um fundo com taxa até 2% deve primeiro ir juntando dinheiro na poupança”, afirma.

A questão do prazo é importante devido à cobrança de IR sobre os ganhos dos fundos. Resgates em prazo inferiores a 180 dias (seis meses) pagam 22,5% de IR sobre o rendimento. A alíquota vai caindo conforme o prazo: 20% (de 181 até 360 dias), 17,5% (de 361 dias até 720 dias), 15% (mais de 720 dias). Considerando o prazo de um ano e CDI de 12,50%, uma aplicação de R$ 30 mil em um fundo DI com taxa de administração de 2% proporcionaria um ganho líquido de R$ 2.400 (ganho bruto de R$ 3.750, menos R$ 750 de IR e R$ 600 de taxa de administração). Caso aplicasse o mesmo valor na caderneta de poupança, que não cobra IR sobre o ganho nem taxa de administração, o valor seria de R$ 2.117. Com a Selic a 13%, os fundos DI com taxas de administração de até 2% tem ganho anual de 8,40%. No caso de uma taxa de 1% ao ano, o rendimento será 9,40%.

Lembi, da M2 Investimentos, ressalta que o rendimento dos fundos DI com Selic em cerca de 12,50% não será suficiente para trazer ganhos reais (descontada a inflação) elevados. O BC teria que elevar a Selic para 13% ou 13,25% ao ano para que inflação se encaminhe para o centro da meta, de 4,5%, diz ele “Mas a pressão política será muito grande e a Selic não vai subir até esse nível”, afirma.

Ele lembra que o BC, em vez de iniciar mais cedo o aperto monetário, optou pela adoção medidas macroprudenciais, como o aumento do depósito compulsórios, para diminuir o ritmo de concessão de crédito e tentar esfriar a economia. Com Selic menor, o investidor deve conviver, este ano e em 2012, com inflação um pouco mais alta. Isso quer dizer que tanto os fundos DI quanto a caderneta de poupança exibirão ganhos reais (descontada a inflação) minguados. Na edição desta semana do boletim Focus, a expectativa para o IPCA deste ano subiu de 5,64% para 5,66%. Mas a projeção para o índice em 2012 recuou de 4,70% para 4,61%.

Com a inflação ainda em alta, Lembi recomenda aos investidores em fundos com títulos atrelados à inflação. “Essas carteiras já tiveram um bom desempenho bom em 2010 e devem continuar assim pelos próximo dois”, afirma Lembi. “A inflação continuará a atrapalhar a vida do investidor mesmo com o aperto monetário”.

A alta dos juros aumentará a competitividade dos fundos de varejo em relação à caderneta de poupança, diz Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, braço de gestão do Banco do Brasil. “As cadernetas devem perder espaço”, afirma Takahashi, que também prevê um declínio do interesse do investidor pelos Certificados de Depósito Bancário (CDBs)

Com um ritmo de crescimento menor do crédito, os bancos terão menos apetite por recursos e, por isso, devem a oferecer taxas menores no CDB. Outro fator que deve beneficiar o setor de fundo é o crescimento da renda de parte da população. “O bom desempenho da economia fez muita gente subir de faixa de renda e essas pessoas têm novas perspectivas e devem destinar mais recursos para os fundos”, afirma Takahashi. (Colaborou Angelo Pavini)

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Macroprudências à parte, missão dada é para ser cumprida

 Sexta-feira passada, enquanto praticava minha caminhada matinal, ouvi o locutor da rádio informar que a previsão da meteorologia para o dia era de temperatura estável, com mínima de 21 e máxima de 39 graus! Poucos minutos depois, o mesmo locutor reportava o resultado das contas do governo central, referentes ao ano de 2010.

 A meta de superávit primário, estipulada em R$ 76 bilhões (ou 2,15% do PIB), foi atingida (R$ 79 bilhões) tão-somente pela contribuição de R$ 32 bilhões, proveniente da mágica contábil operada com a capitalização da Petrobras. Ou seja, para simplificar, o resultado real foi uma sobra de R$ R$ 47 bilhões, o equivalente a 1,25% do PIB, o que é pouco.

 Sinceramente, minha inteligência é curta para compreender como uma amplitude de 18 graus nas temperaturas pode ser considerada algo “estável”, bem como para admitir que esse malabarismo nas estatísticas governamentais possa ser entendido como algo “normal”.

 Faz algum tempo que alguns economistas (me incluo nesse rol) vêm alertando para a gastança desmedida ao final da Era Lula e o impacto negativo que isso poderia causar no primeiro ano de mandato da presidente Dilma. Como no livro de Gabriel García Márquez, “Crônica de uma morte anunciada”, não deu outra: há, neste momento, uma generalizada preocupação com o lado fiscal e, mais ainda, com os índices de inflação.

Em novembro passado, numa palestra que fiz sobre cenários para 2011, alertei para o fato que a carestia seria um tormento no mundo todo, pelas pressões nos preços das commodities e dos alimentos e pelas políticas monetárias frouxas mundo afora. Àquela oportunidade, sugeri que o IPCA corria o risco de estourar o teto da meta, de 6,5%. De fato, minha expectativa atual é que, mesmo que o Banco Central eleve a Selic para 13% (como espero), e que o orçamento sofra um corte de pelo menos R$ 40 bilhões (que não espero), o IPCA ainda assim registrará inflação em torno de 6% esse ano, inclusive por que há um “carry over” de mais de 3% herdado de 2010.

 Esse ruído fiscal/inflacionário afetou a bolsa brasileira, que se retraiu fortemente em janeiro. Com uma volatilidade semelhante à estabilidade das temperaturas na cidade do Rio de Janeiro, papéis de empresas dos setores de varejo, construção civil e bancos foram muito afetados pela expectativa de novos aumentos da Selic. Ademais, o quadro externo ainda está confuso, o que vem levando investidores estrangeiros a resgatar investimentos dos países emergentes, como mostrou recente matéria do Valor, assinada pela jornalista Luciana Monteiro.

 Permaneço preocupado com o cenário prospectivo para os investimentos! Mais uma vez leio com desconfiança relatórios projetando o Ibovespa em 85-88 mil pontos para o fim do ano. Se atingir 80 mil já devemos soltar rojões!

 Acredito que a situação europeia permanece muito complicada e são reais as chances de algum país de lá abandonar o euro e/ou recorrer a alguma renegociação unilateral. Mesmo apostando que os EUA terão uma recuperação um pouco mais consistente a partir de meados do ano, ainda assim não deveremos observar redução importante no desemprego global, o que poderá elevar as tensões sociais.

Voltando ao Brasil, 2011 é um ano chave, mormente pelos desafios associados ao deficit externo, à valorização excessiva da taxa de câmbio, ao descontrole fiscal e, como já salientado, às pressões inflacionárias. É sempre útil lembrar que em nosso país a meta de inflação é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que atribui ao BC a missão de executá-la.

 Estou convencido que a autoridade monetária brasileira tem uma tarefa hercúlea pela frente, e que, como o Bope, gostaria de manter seu histórico de “Missão dada é missão cumprida”. Não creio, no entanto, que a inflação retroceda para o centro da meta antes de 2012.

 O fato é que o governo Dilma, que ora se inicia, terá que mostrar comprometimento e austeridade desde já, se quiser reverter esse atual mau humor. Como salientou de forma muito apropriada o Copom, em sua ata, o lado fiscal precisa colaborar. Somente juros para cima e medidas “macroprudencias” me parecem ser insuficientes.

Alexandre Espírito Santo é chefe de Finanças da ESPM-RJ e economista da Way Investimentos

E-mail aesanto@wayinvestimentos. com.br

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PREÇOS DOS IMÓVEIS… BOLHA À VISTA???

É preciso ter cuidado com a compra de imóveis nesse momento. Aqui no RJ, por exemplo, o metro quadrado de um apt de 3 quartos, depois de construído, saltou, em aproximadamente dois anos, mais de 40%, num bairro como a Barra da Tijuca. Lembremo-nos da bolha nos EUA…

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A dura vida dos pessimistas

Mesmo diante de sinais de problemas, maioria dos analistas não consegue deixar o otimismo de lado na hora de fazer suas estimativas para a bolsa de valores.

Depois de uma alta de mais de 82% do Ibovespa em 2009, fechando em 68.588 pontos, a
maioria esmagadora dos analistas esbanjava otimismo no início de 2010 com relação ao
potencial de valorização da bolsa no ano. As projeções chegavam até os 87 mil pontos, o que
embutia 27% de ganho. No ano passado, porém, a bolsa terminou praticamente no zero a zero, com tímida alta de 1,04%.
A projeção fazia sentido, já que se esperava um bom crescimento econômico e um ano positivo para as commodities. Mas ficaram de lado as incertezas em relação ao cenário global, os efeitos da oferta pública da Petrobras e o fato de que o Ibovespa não estava exatamente uma pechincha após a alta do ano anterior. Esse é o exemplo mais recente da dificuldade do mercado em traçar cenários pessimistas.
Os motivos para tal resistência vão desde o fato de que existem mais instrumentos de mercado e uma facilidade maior para o investidor ganhar com a alta da bolsa até a atitude das pessoas de esperarem um retorno alto para compensar o risco também mais alto da renda variável. Outro fator é que a possibilidade de eventos negativos inesperados não é levada em conta nas estimativas. Há também os interesses comerciais das corretoras, que ganham dinheiro num mercado em ascensão, uma vez que os investidores tendem a fazer mais negócios com ações.
“A essência da bolsa é ganhar dinheiro na alta”, diz o professor de finanças da ESPM-RJ e
economista-chefe da Way Investimentos, Alexandre Espírito Santo. Os produtos mais
difundidos são exatamente aqueles…

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